Fabricantes buscam adaptação à nova demanda por alimentação fora do lar

Em meio a redução nos volumes, indústria ainda precisa correr atrás de novas exigências como alimentos mais saudáveis, produtos inovadores e questões ligadas à imagem dos fornecedores.

São Paulo – A indústria alimentícia tem buscado adaptações com o objetivo de atender às recentes mudanças no segmento de alimentação fora do lar (food service), ao mesmo tempo em que os brasileiros reduzem as refeições feitas na rua.

“O mercado de alimentos passa por um importante processo de mudança e adaptação às necessidades e expectativas dos clientes. Nunca vimos um esforço tão consistente [do setor] nesse sentido”, afirma a diretora executiva Libbra Consultoria, Cristina Souza. A empresa é especializada em marketing e gestão em foodservice.

A Concepta Ingredients, por exemplo, está investindo em uma linha de óleos mais saudáveis a partir de uma cadeia sustentável de produção, características com as quais a fornecedora espera garantir um diferencial competitivo no segmento.

“Queremos atingir os restaurantes classificados como gourmet e premium, nos quais a tendência tem sido buscar inovação e uma segmentação de alimentação saudável além dos vegetarianos”, conta o presidente da Concepta, Ulisses Sabará.

Segundo ele, a economia e o cenário político do Brasil ainda afetam o segmento, mas o executivo vê tendências como saudabilidade e controle de rastreabilidade como mudanças definitivas.

Para a linha de óleos, a Concepta mapeou e fechou parcerias com 105 núcleos comunitários de produtores espalhados pelo Brasil. “E o fato dos produtos que oferecemos, num primeiro momento, atingirem a um público com maior poder aquisitivo também ajuda a garantir essa demanda”, acrescenta ele.

Avaliação similar é feita pelo economista da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (Abia), Denis Ribeiro. “Nos restaurantes e estabelecimentos que atendem um público de maior poder aquisitivo, a demanda se mantém, mas no restante há uma acomodação em função da queda na renda e do desemprego”, explica ele.

A Faleiro Food Services, consolidada no segmento, vem adaptando o portfólio às novas exigências do mercado, conta o diretor Antônio Faleiro Neto.

“Sempre buscamos lançamentos para entrar em novos mercados, mas, neste ano, estamos lançando principalmente uma nova linha com produtos de menor teor de sódio e baixo valor calórico”, diz ele.

Faleiro Neto observa ainda um crescimento da demanda por refeições prontas para o varejo, enquanto a alimentação fora do lar cresce menos do que em anos anteriores.

“Começamos a ver que a linha de pratos prontos para o varejo cresceu em volume, porque as famílias começaram a migrar o consumo para dentro dos lares e isso ajuda a explicar porque a demanda dos restaurantes teve redução”, comenta o executivo da Faleiro.

A BRF não vê queda no segmento, mas nota mudanças, de acordo com a gerente comercial de food service da empresa, Joicelena Fernandes.

“O que podemos observar de mudança nesse setor é a tendência de busca por alimentos mais saudáveis. Nos últimos anos, a BRF tem olhado atenciosamente para esse movimento do mercado e investido em inovação e renovações no portfólio de nossas marcas, buscando atender aos desejos do consumidor”, disse ela, por e-mail ao DCI.

O aumento das refeições feitas dentro de casa também puxa as vendas por delivery, observa o presidente do Instituto Foodservice Brasil (IFB), Alexandre Guerr “O delivery tem ganhando cada vez mais espaço. Isso é muito importante, pois a alimentação fora do lar está entrando nas casas”.

O consultor da assessoria especializada em inovação Mandalah, Murilo Bueno, indica que a preocupação com a origem dos alimentos também está avançando. “A alimentação consciente passa por atos considerados coletivos, que é a preocupação em saber de onde os alimentos vêm”.

Os escândalos recentes envolvendo frigoríficos no País têm acelerado o avanço de exigências de rastreabilidade para a cadeia de food service.

“O problema recente de falta de credibilidade em relação aos grandes fornecedores tem gerado uma procura maior dos clientes por informações sobre a origem dos alimentos”, afirma Neto. A Faleiro deve emitir em breve um posicionamento oficial sobre sua cadeia de fornecedores, acrescenta.

Jéssica Kruckenfellner

Processo Licitação De Serviços De Alimentação

As empresas se desafiam a cada dia. Crise, necessidade de inovação, novos entrantes, pressão por resultados… e, em qualquer que seja o segmento, a eficiência é um dos principais elementos na construção de um desempenho de alta performance.
Paralelamente à pressão por eficiência, existe o aumento da complexidade das estruturas organizacionais e das necessidades dos consumidores. Assim, estruturar de maneira organizada o processo de aquisição de serviços de alimentação é um desafio para os gestores da área de Compras e Facilities, uma vez que questões técnicas não dominadas pelas áreas são preponderantes para o sucesso da negociação.

Uma contratação indevida pode comprometer uma relação de longo prazo, e frequentemente, provoca desgastes e encerramentos prematuros de contratos. Há alguns anos, a compra de um serviço especializado era conduzida pelo próprio gestor do serviço. Houve uma grande mudança no processo de contratação com a interposição da área de suprimentos entre o gestor e o prestador de serviço, o que tornou o processo mais profissional e seguro. Entretanto, raras são as empresas que efetivamente tem em seu negociador um especialista em Foodservice.

O processo de compra de serviços especializados é a etapa mais importante da cadeia da prestação de serviço, porque é o começo. Nesta fase, é necessário dedicar foco e concentração.

Para que uma contratação seja bem-sucedida, a Libbra Consultoria recomenda:

1. Definir cronologia do processo de contratação para permitir aos competidores condições de planejar o processo de implantação como um todo – reuniões de esclarecimento, perguntas e respostas, apresentações presenciais, visitas e revisão de propostas técnicas e comercias.

2. Definir detalhadamente o escopo dos serviços para que os players tenham total clareza e possam apresentar soluções adequadas às reais necessidades da empresa. Essa etapa também garantirá a equalização entre os competidores, sobretudo na avaliação de preços, certificando a comparação em uma mesma base.

3. Programar visita técnica em clientes atuais dos competidores de forma objetiva, com uma ferramenta para avaliação e documentação, preferencialmente feita por equipes multidisciplinares.

4. Definir uma matriz de decisão para avaliação do vencedor do processo de concorrência.

5. Discutir e validar a minuta contratual.

6. Definir padrão de SLA – Service Level Agreement, com indicadores mensuráveis que garantam a qualidade e a segurança dos serviços e dos processos, bem como o cumprimento do contrato pré-estabelecido.

A fidelização e a longevidade dos contratos trazem inúmeros benefícios a todas as partes, tornando o dia a dia estável e evolução constante aos indicadores de ambas as empresas.

Por Marcia Chilio – Sócia – Diretora Foodservice & Estratégia
Libbra Consultoria

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Terceirização de Serviços de Alimentação

Dentre as grandes mudanças que aconteceram nas empresas ao longo dos últimos anos, seja em estrutura organizacional, investimento em novas tecnologias e preocupação com meio ambiente, está a “terceirização de serviços especializados”. Inicialmente esta tendência se deu como forma das empresas se concentrarem em seu core business, mas atualmente funcionam como uma forma de assegurar expectativas positivas das empresas em relação a serviço, qualidade, investimento e saving.

Esse novo modelo de negócio desafia os profissionais que lidam cotidianamente com a rotina de compra de serviços, especialmente quando o assunto é a terceirização de Serviços de Alimentação. Este setor é altamente complexo e quando não especificado adequadamente, pode gerar anos de uma gestão ineficiente, desgastante e, por consequência, financeiramente inviável.

No passado as empresas possuíam um profissional técnico responsável pela gestão dos serviços de alimentação sendo ele a conduzir o processo de terceirização, assegurando todo suporte técnico necessário. Essa figura deixou de existir e o mercado passou a exigir que compradores assumissem uma postura cautelosa para que não houvessem surpresas para as áreas gestoras, em geral Facilities – após o fechamento do contrato.

Certamente a evolução das empresas operadoras têm contribuído para o dia a dia dos profissionais de Compras, pois elas oferecem pacotes bem estruturados. A questão é quando o contratante deseja se aprofundar para ampliar os benefícios dessa negociação e nem sempre encontra respostas claras, ficando fragilizado por não conhecer todos os pontos de oportunidade. Na maioria das vezes o “comprador” apresenta um viés para negociar exclusivamente preço sem saber que este ponto isolado geralmente não traz um benefício real para um modelo ganha-ganha.

Ainda falando das bases negociais, é importante lembrar que o serviço de alimentação possui inúmeras interfaces com a empresa: clima organizacional, impactos no meio ambiente, riscos de acidente de trabalho, alinhamento de valores empresariais, entre outras, assim, além de conhecer as competências estratégicas na compra de serviços de alimentação, é necessário compreender que não há apenas um fim comercial, trata-se de uma relação estável e duradoura, que deve ser baseada na cooperação mútua.

A Libbra Consultoria coleciona alguns importantes cases de sucesso nesse tipo de projeto, pois assegura aos compradores todo suporte técnico para que possam conduzir o processo segundo suas premissas negociais e faz isso com um modelo detalhado, estruturado e extremamente bem organizado para uma tomada de decisão embasada, documentada e racional.

Por Marcia Chilio – Sócia – Diretora Foodservice & Estratégia

Libbra Consultoria

Mega Tendências para a Gastronomia 2017/2018

De 19 a 22 de março acontecerá em Londres a IFE – The International Food & Drink Event. É uma feira bianual. Em 2015 estivemos pessoalmente e nesse ano vamos acompanhar tudo e dividir o conhecimento com vocês. Começamos compartilhando a tradução de um artigo incrível sobre as 17 principais tendências do mercado de foodservice europeu para o Biênio 2017/2018, ou seja! Atualização PURA. Como as tendências chegam cada vez mais rápido ao mercado Brasileiro é fundamental estar atento. Ótima leitura!!!

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Há oito tendências sociais e culturais que sustentam as mega tendências mundiais para 2017, todas girando em torno de um conceito apenas: Purpose/ Propósito. Todos nós procuramos um propósito nas nossas vidas para saber se o que somos e o que fazemos tem sentido. “Purpose” nos dá a direção e nos motiva. Por que não esperar o mesmo dos alimentos e bebidas que consumimos? Os consumidores estão querendo fazer mais escolhas que tenham um propósito, fazendo compras que criem experiências valiosas.

Há dezessete tendências de comportamento na gastronomia que dão origem a mais de cem sub-tendências. Conheça:

  1. Dude Food 2.0 (comida gordurosa, pesada, com muita carne): este tipo de comida tem sofrido uma modificação importante. Mantem suas características principais de ser uma comida farta, mas vem ganhando cada vez mais vegetais e legumes.
  2. Carbs are Back (a volta dos carboidratos): Inovações nas massas e pães estão trazendo estes dois produtos de volta para a mesa.
  3. Chili knowledge: grande paixão por comidas extremamente apimentadas.
  4. The Sober Scene: Não é preciso beber muito para beber bem e ter uma noite agradável. Cada vez mais as pessoas dispensam bebidas alcoólicas, o que abriu caminho para o surgimento de coquetéis sem álcool. Os barmen usam as mesmas técnicas complexas para criar estes novos coquetéis, que não tem os efeitos colaterais do álcool.
  5. Ageing (maturação): Carne maturada é algo conhecido. A mesma técnica passa a ser aplicada para frangos, peixe e mesmo manteiga.
  6. Nootropics: Esta é a última palavra no campo da gastronomia funcional, cultivada por consumidores que querem melhorar sua aparência e sua saúde. Este tipo de comida promete tornar as pessoas mais inteligentes – ou, pelo menos, proteger e aprimorar suas funções cerebrais. Tem grande aceitação entre os executivos do Vale do Silício e entre as pessoas preocupadas com os efeitos degenerativos da idade.
  7. Faux Food: (comida imaginária) Nada é o que parece ser! Os chefes estão cada vez mais desbravando as fronteiras da comida que parece ser uma coisa, mas é outra. Isto é feito através de imitações criativas de carnes que confundem os sentidos.
  8. Vegan: Chega de comidas chatas e estranhas. A culinária vegana está na moda. Certamente não há nada de chato nas novas tendências das opções veganas.
  9. Gut health (saúde do intestino): Cada vez mais a saúde dos seus intestinos é reconhecida como fundamental para a manutenção da sua saúde em geral, o que significa que muitos consumidores estão prestando atenção ao que comem. Este interesse tem aumentado o consumo de probióticos, comida fermentada e enzimas digestivas (da mesma forma que é crescente a aversão a produtos que podem irritar o intestino).
  10. Craft spirits (bebidas artesanais): Já aconteceu com as cervejas, mas agora também as bebidas destiladas estão experimentando um boom. Como em outras áreas da gastronomia , os consumidores estão exigindo bebidas que sejam mais autênticas e menos industriais. Bebidas artesanais também são mais facilmente consumidas sem a associação típica do álcool com os seus efeitos colaterais e com sua conotação negativa.
  11. Second Life Re-Cycled: Ampliação da utilização de alimentos anteriormente desperdiçados para a criação de novos produtos.
  12. American Tropics: Cores fortes, motivos florais e sabores marcantes tem sido utilizados pelos chefs para diferenciar seus estilos. Sabores das ilhas do Pacífico, ‘tiki’ havaiano e uma nova onda de sanduiches cubanos e mexicanos, além de “Jamaican Jerk” (carne seca com especiarias – inicialmente bovina, mas agora aplicada a aves e pescados também).
  13. Warm Spice and Sweet Heat:  Gosto por comidas picantes, há um a preferência crescente por algo mais equilibrado e sutil. Gengibre, pimenta, raiz forte, açafrão , wasabi e chilli estão ganhando importância e equilibrando  “heat” (potência) com doçura.
  14. Eating at home: Você pode ter tudo que seu coração deseja com mínimo esforço no conforto da sua casa com a enorme variedade de serviços de delivery de refeições personalizadas. Delivery continua em crescimento.
  15. Spotlight on Minerals (foco nos minerais): em geral as vitaminas ganham todo o destaque, mas os minerais estão crescendo em importância. Nosso estilo de vida  é cheio de tensões e stress, o que acaba reduzindo o nível de minerais necessário à manutenção de uma boa saúde.
  16. Striking Colour Palette: tendência crescente de alterar a cor de alimentos tradicionais através do uso de corantes naturais e artificiais.
  17. Foodie Chefs at Home: a chegada de equipamentos de cozinha de alta tecnologia e acessíveis e a proliferação de programas de culinária na TV alavancou o interesse por cozinhar em casa, o que possibilita o acesso a pratos com qualidade profissional, se você tiver um pouco de prática.

 

Sobre nós: Somos uma consultoria especializada em Foodservice – www.libbra.net – novos negócios, licitações para serviços de alimentação, planos de marketing, gestão e varejo.

Artigo original: https://thefoodpeople.co.uk/news/thefoodpeople-food-and-beverage-trends-framework-for-2017-18?utm_source=thefoodpeople&utm_campaign=0d8890c4c7-Newsletter_RSS_Feed3_27_2015&utm_medium=email&utm_term=0_32ece18d6a-0d8890c4c7-325060825

– tradução livre e adaptação de texto: Libbra Consultoria – qualquer dúvida ou discordância enviar email: contato@libbra.net

Mais informações sobre o evento: http://www.ife.co.uk/